Por que amamentar é bom para as finanças?

Por que amamentar é bom para as finanças?


Segundo dados do Ministério da Saúde, gastos com fórmulas infantis podem chegar a 133% do salário-mínimo

É conhecido que a amamentação traz grandes benefícios para a saúde, segurança alimentar e qualidade vida das mães e dos bebês, especialmente se for exclusiva até os 6 meses e estender-se de forma parcial até os 2 anos de idade. Mas, além dos benefícios à saúde, você conhece os benefícios financeiros e sustentáveis gerados pelo aleitamento materno?

Bom para o bebê e para o bolso

O aleitamento exclusivo é uma prática que, além de ter inúmeros benefícios à saúde da criança, proporciona economia de dinheiro à família. Um levantamento do Ministério da Saúde calculou o gasto médio mensal com a compra de leite para alimentar um bebê nos primeiros seis meses de vida. Os dispêndios com leites e fórmulas infantis variavam, em 2004, de 38% a 133% do salário-mínimo, a depender da marca da fórmula infantil.

Economia com gastos diversos

Considerando que, além dos produtos, também há custos com mamadeiras, bicos e gás de cozinha, a despesa mostra-se ainda maior. Além desses, ainda podem ocorrer eventuais gastos decorrentes de doenças, que são mais comuns em crianças não amamentadas.

Economia mundial de US$ 1 bilhão

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, menos de 40% das crianças em todo o mundo beneficiam-se da amamentação. Mas, se todas as mães pudessem amamentar seus filhos exclusivamente até os seis meses, a economia global pouparia cerca de US$ 1 bilhão por ano com custos de saúde, por conta do papel do leite na prevenção de doenças infantis e maternas.

Os dados são da pesquisa O custo de não amamentar, realizada em mais de 100 países e publicada em 2019 no jornal acadêmico de Políticas e Planejamento da Saúde da Universidade de Oxford. Clique aqui para acessar o conteúdo completo do estudo (em Língua Inglesa).

Saúde para bebê e mamãe

Nas crianças, a amamentação previne, no curto prazo, o aparecimento de doenças respiratórias e casos de diarreia; e reduz , no longo prazo, o risco de obesidade e diabete infantil. Já no caso das mães, reduz os riscos do surgimento do câncer de ovário e mama. Estudos já demonstraram que, com amamentação exclusiva até 6 meses, poderiam ter sido evitadas 595.379 mortes de crianças entre 6 meses e 5 anos; e a morte de 98.243 mães no ano de 2013. Com isso, além dos custos hospitalares, a perda produtiva resultante dessas mortes foi de US$ 53,7 bilhões, segundo os cientistas. Além disso, as perdas cognitivas das crianças que não foram nutridas adequadamente pelo leite materno nos primeiros equivaleram a US$ 285.4 bilhões a menos gerados na economia mundial. Por isso, de forma total, a não amamentação exclusiva até os 6 meses de vida custa naquele ano custou aproximadamente US$ 341,3 bilhões por ano em todo o mundo.

Efeitos nos sistemas de saúde brasileiros

Apenas no Brasil, se a amamentação até os 6 meses aumentasse em 90%, isso garantiria uma economia de US$ 6 milhões para os sistemas de saúde. Isso porque, segundo dados do Ministério da Saúde, pelo menos metade dos casos de diarreia e um terço das infecções respiratórias em crianças poderiam ser evitadas com o leite materno, o que, consequentemente, evitaria 72% e 57% das internações hospitalares causadas por essas doenças.

Sustentabilidade ambiental

Segundo informações da Sociedade Brasileira (SBP), para produzir um quilo de leite em pó, são necessários cerca de quatro mil litros de água. Além disso, o uso desses produtos leva à contaminação da água e do solo, graças ao lixo gerado pelas latas de leite e aos plásticos das mamadeiras e bicos de borracha usados para alimentar o bebê. Todos esses materiais são de decomposição lenta. Diferentemente das fórmulas, leites artificiais e o do leite de vaca, o leite materno é renovável, produzido sem embalagens, sem poluição e sem chances de desperdício.

Engrenagem Virtual © 2020 | Todos os direitos reservados