Sabe quais são os novos indicadores de crédito?

Sabe quais são os novos indicadores de crédito?

Você se considera um bom pagador? Se sim, deve ter um bom score, aquele indicador entre 0 e 1000 que mostra a probabilidade que as pessoas têm de pagar suas contas. Esse cálculo é feito a partir de informações enviadas pelas instituições financeiras, contudo, agora existem novos indicadores baseados em endereço, idade e ocupação que podem dificultar a concessão de empréstimos, principalmente agora durante a pandemia.

Geralmente, o passado é levado em consideração nas análises de crédito, como cadastro positivo e contas em atraso. Agora os birôs de crédito, empresas responsáveis por armazenar informações dos pagadores, tentam prever o futuro, por isso levarão em conta novos dados. De acordo com os birôs, a iniciativa busca oferecer mais segurança às empresas. 

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus influenciou diretamente esta decisão. As empresas consideram que mesmo que a pessoa sempre tenha honrado seus compromissos financeiros, com a crise, corre riscos de ficar inadimplente. 

Um dos novos indicadores é o Índice de Vulnerabilidade, utilizado pela Boa Vista SCPC e pela Serasa Experian. O da Boa Vista leva em consideração a fragilidade econômica das pessoas físicas durante a crise e coloca em um índice entre 1 e 6, quanto mais alto, maior a vulnerabilidade. 

A Boa Vista analisa dados sobre emprego, localização e idade dos consumidores para compor o índice. Eles consideram, por exemplo, que dependendo da área de atuação, a pessoa é mais afetada pela crise e corre o risco de ser inadimplente. 

O produto da Serasa Experian é semelhante ao da Boa Vista, se chama Indicador de Vulnerabilidade. A escala dele vai de 1 ao 13 e quanto mais alto, maior o nível de fragilidade também. Nele é comparado a atual situação da pessoa física com o potencial de recuperação depois da crise. 

As duas empresas não divulgam explicitamente como são feitos os cálculos, como os dados são utilizados e quais os métodos. Por isso, especialistas em direito do consumidor têm criticado os novos indicadores e consideram que eles podem ser irregulares e podem ser uma tentativa de driblar as leis do consumidor. 

Um exemplo claro é que se a pessoa não pagar uma conta, as informações dela só podem fazer parte do banco de dados depois de um determinado número de dias. Agora com os novos indicadores, o birô pode anexar essa informação como vulnerabilidade.

Outro problema indicado pelos especialistas é que as pessoas não têm acesso aos dados utilizados para criar o índice, só o próprio resultado. Pelo Código do Consumidor, não se pode incluir dados de pessoas em scores sem respeitar as regras de inclusão. Há casos de pessoas que diminuem o score por terem o cartão clonado, por exemplo. 

Mesmo que as empresas não divulguem mais informações sobre os índices, por lei, o consumidor tem direito a saber como suas informações estão sendo utilizadas. Neste caso, se o birô não atender o pedido, o consumidor pode acionar o Procon ou ingressar com um pedido judicial por ação declaratória e pedido de danos.

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